segunda-feira, 26 de setembro de 2016

                           As Cidades Autossustentáveis

        Já ouvi falar em muitas cidades fantasmas ao longo da minha humilde existência. Tipo, cidades do Far West, do Brasil colonial, até a Serra Pelada. As pessoas movidas pela ganância dos tempos da exploração do ouro e da posse das terras, migravam para estas novas áreas e achavam que ali estavam toda a esperança de um mundo melhor e cheio de riquezas materiais. Mas, tudo foi conquistado com muita dor e sacrifícios humanos. Cada família que chegava, gerava mais impulso na economia e de pouco a pouco as cidades foram se formando ao longo dos corredores do ouro. Rotas que movimentaram milhões de pessoas, cruzando e passando por cima das civilizações indígenas, destroçando suas aldeias e dizimando sua gente e sua cultura.
       Com esta ocupação , as pessoas se concentravam entorno das reservas de água que proviam o abastecimento da cidade e dali partiam para a caça ao ouro, principal metal para acumulo e movimentação de capitais.
       Mas este metal, sendo uma fonte esgotável, tendia a terminar um dia, e ninguém se programava para isto, era só esperar para o êxodo em massa.
       Os lugares que tinham outras tipos de atividades que sustentassem a economia local, conseguiam sobreviver. Diversificaram suas atividades e não afetando completamente a vida da cidade e mantinha o sustento do lugar.
       Já os locais que sobreviviam simples e exclusivamente de um só seguimento da economia, entravam em falência e ruíam na decadência. Levando, pouco a pouco, a sua população a procurar outros lugares que poderiam absorver a grande demanda excedente de mão de obra.
       Mesmo hoje em dia, isto continua acontecendo, as cidades que são movidas por um setor da economia, estão fadadas ao destino de, se por algum motivo entrarem em colapso ou decadência, se tornarem vazias de empresas e de pessoas.
       O que mantem a "saúde" e a autonomia de uma cidade é o seu poder de se manter, superando todas as crises: hídrica,imobiliária, política, financeira, etc... Quando um setor econômico está em declínio os outros setores da economia tendem a absorver a demanda de mão de obra, sem que sinta muito a consequência do setor que foi afetado.
      Esta é a chave para a perpetuação e o sucesso que um governo tem que priorizar. Manter todos os setores da economia em atividade, dar incentivo aos setores deficientes. Manter abundância de todas as necessidades básicas, pois a escassez leva a alta de preços e a inviabilização de do fácil acesso.
       A minha preocupação atual é Macaé, cidade que já passou por muitas dificuldades no passado, mas que hoje em dia mantem um equilíbrio e estabilidade, talvez aparente, pois as pessoas que entram e saem, ou as vezes que, chegam e ficam, mas não percebem a gravidade do problema econômico. São movidas pelo impulso da esperança de um emprego num setor em ascensão.
      Agora, dizer até quando isto vai durar e se manter em harmonia, ninguém sabe ao certo. Estamos a mercê da especulação das grandes companhias e da grande estatal que dita as regras. É justamente aí que está a deficiência, pois uma região inteira não poderia estar dependendo de um único setor da economia.
       Enquanto o governo local, não der incentivo para os outros setores e outros tipos de indústria, o tri pé da autossustentação das cidades ( pois incluindo também as cidades vizinhas, que decaem como num efeito dominó, a começar pela maior) estará sempre dependendo das fontes esgotáveis de recursos e matérias primas, de assinatura de grandes contratos, financiamentos e investimentos federais e estrangeiros.
                                                    Andrea Pordeus                                                                                                                                                                                                                                            (escrito em 04/07/2014)